terça-feira, 18 de junho de 2013

A CAIXA DE PANDORA

Estou sendo convidado constantemente a fazer parte de uma dessas manifestações que pipocam por todo o país. Mas ainda não estou muito convencido dos reais interesses por trás desses atos ditos democráticos.
Essa história da redução das tarifas eu não engulo. Existe algo mais....contra a corrupção?  Contra a impunidade?  Não sei!  Ainda não há nada muito claro sobre isso. O que realmente tem se visto, são pessoas aos milhares protestando cada qual por aquilo que acha justo. Não há uma concepção geral, não há uma diretriz única, não há um comando acertado. Tudo o que se vê, são pessoas caminhando e gritando cada qual aquilo que ouvem e repetem por assim dizer. Existem os vândalos sim. Desocupados e bandos de VAGABUNDOS CRIMINOSOS  que insistem numa bagunça generalizada e de enfrentamento contra às forças policiais. Querem porque querem provocar esse confronto na esperança de, no revide, receberem às bênçãos de serem atingidos por balas de borracha e exibirem dessa forma um caráter de vítima do sistema.

Não tem nada a ver com aqueles que realmente estão saturados de tantas palhaçadas e tantos desmandos dos governos atuais em todas as esferas e de todos os partidos. Talvez comece hoje, um movimento confuso que irá engrandecer e tomar proporções que fujam ao controle dos próprios criadores.

Os governos o que fazem?  Simples....buscam dividendos em cima disso!!!! NADA MAIS NATURAL PARA ESSES PORCOS DA SOCIEDADE!

Cada qual se aproveita para criticar os excessos e elogiar o aspecto democrático do protesto, desde que não seja contra ele. Ainda tem a esperança de ouvirem em alto e bom som, algo que prejudique seus adversários para então, tomarem imediatamente as medidas de flerte com esse "apêlo" popular!

Simplesmente é vergonhoso em certos aspectos, apesar de aparentar um movimento apartidarizado mas que tem fortes vínculos com partidos radicais e sem nenhuma expressão democrática de peso no território nacional.

Ainda não decidi se vou ou não ao protesto marcado para Campinas. Se for, irei protestar contra tudo que venho protestando nesse meu blog.  Não quero ser mais um na "massa" manobrável de interesses partidários e, portanto, se perceber qualquer indício por menor que seja de finalidades que não sejam de caráter estritamente de interesse público, tanto nacional como estadual ou municipal, abandonarei meu protesto imediatamente.

Só espero que as pessoas se toquem e percebam se estão ou não sendo "usadas" como massa de manobra ou os famosos "inocentes úteis".   Esses imprestáveis são capazes das maiores barbaridades no intuito de angariar possíveis votos para o ano que vem.

Fiquem espertos. Tenham a certeza da causa. Tenham o objetivo real e não o imaginário como principal fator de protesto.  Vandalismo é crime. Nesse momento a prefeitura da cidade de São Paulo sofre uma tentativa de invasão....quem são esses que a atacam?  Manifestantes sérios?  Ou apenas vagabundos querendo publicidade...!

Minhas duas filhas já decidiram ir...talvez eu vá.  Mas quero estar ciente do que realmente faz esse protesto. A manada costuma ser sempre conduzida pelos boiadeiros.  O tigre aqui não é manada...é solitário e prefere ter uma visão melhor do conjunto para poder avaliar melhor a obra.

O assunto começa a ganhar proporções perigosamente sérias. Ninguém parece mais se atrever a conter os ânimos que se exaltam.  Tem receio das represálias e das perdas políticas. A manada cresce e ameaça oferecer seu controle a qualquer um que se proponha a gritar mais alto....

...e isso não é democracia....

sexta-feira, 14 de junho de 2013

VINTE CENTAVOS

O assunto do momento nos sites de notícias, nos blogs, nas rádios e tevês é praticamente único. Supera até as preparações da copa das confederações. O Brasil é palco em várias capitais de confrontos entre manifestantes e policiais.  Qual seria o motivo?  O aumento dito abusivo das passagens nos transportes públicos!  Então, dessa forma, empresta-se um caráter nobre à causa da manifestação. Se os manifestantes atingem um policial com uma pedrada, é enfrentamento de um valente. Se o policial revida com uma cacetada de bastão, passa a ser covardia e o pobre jovem exibe-se como vítima de um sistema opressor que não lhe permite protestar. Isso é o que está me parecendo.
Claro que há excessos em ambos os lados. Claro que um policial também tem sangue correndo nas veias apesar de todo o treino e adestramento intenso que recebeu. Tem filhos que trabalham e estudam. Que usam os transportes públicos, assim como ele mesmo para ir e voltar do quartel. Talvez o pobre soldado nem compreenda o que fazem aqueles jovens bem vestidos, bem alimentados, bem apanhados de forma geral, praticando vandalismo ao invés de simplesmente protestar. Sabe o que é protesto?  Na minha opinião, é sustentar cartazes, gritar palavras de ordem, tirar a roupa, pode-se até obstruir alguns caminhos, mas não se pode agredir nem destruir patrimônio público e fim de papo.
A policia está presente para conter abusos, manter alguma ordem, e dar até proteção aos próprios manifestantes. Esses, no caso, não são manifestantes. São baderneiros, vagabundos que não trabalham nem estudam. São sustentados pelos pais, pelo governo através de algum programa dito social que se apropriaram indevidamente e pois, encontram tempo suficiente para mostrar um patriotismo que não tem.
A maioria dos paulistanos, ouço, está do lado dos manifestantes. Verdade?  Estariam eles ao lado dos manifestantes ou da pretensa causa?  O tal passe livre que se propõe a  um transporte gratuito, ou o quebra-quebra em que se transformou a dita causa?
Me parece que esquecem de um outro crime quando atacam um servidor público, no caso, um policial.
O crime de desacato previsto em lei com suas devidas punições. Só ouvi falar em danos ao patrimônio, formação de quadrilha etc etc etc. Ninguém se preocupou em defender melhor aquele que está lá zelando e tentando manter o controle dos manifestantes e de si próprio. Quer voltar para casa depois do trabalho como qualquer um de nós.

Estão usando esses jovens politicamente, covardemente, criminosamente, para obter frutos políticos. Se algum deles sofrer algo mais forte, pronto, culpa do governo do Estado. Quem ganha com isso? A resposta dessa questão já leva fatalmente ao suposto interessado nessa questão, que evidentemente não é o povo.
Quem tem interesses nesses eventos e em seus desfechos de preferência catastróficos, são aqueles que fomentam esses jovens através de ONGs e entidades ditas sociais.  Quem tem interesses nessas bandalheiras e atos terroristas são os mesmos que enchem de merda as cabecinhas mais frágeis que se abrem como tampões para receber esse produto como dádivas de nádegas produtivas prestes a aliviar intestinos grotescos.

Não, o povo não apoia os manifestantes. Não em seus métodos. Pelo contrário. O povo está lá, fardado tentando conter os abusos que perigosamente se aproximam da catástrofe sem volta.


sábado, 1 de junho de 2013

DAS PENAS DAS AVES ÀS PENAS DA LEI

Há muitos anos eu ainda discutia sobre a questão indígena. Há muitos anos, eu adotava ainda uma linha de pensamento defensivo para com aqueles que considerava os verdadeiros donos da terra. Mas de que terra afinal?
O homem branco, por assim dizer, invadiu e se apropriou de extensas faixas de terras. Fundou ali uma Nação.   Nasceu, cresceu e morreu durante incontáveis gerações.  Os índios fizeram o mesmo, só que muito antes de estarmos aqui. Eles também lutaram, tomaram outras tribos, expulsaram seus integrantes e fundaram suas nações. É a história do mundo. Nada que mais nisso!

Minha defesa para com esses seres, passava pela crença de que eles ainda não haviam adotado nossa civilização. Que eles ainda podiam e viviam em condições análogas às suas tradições.

Mas não. Muito pelo contrário.  Os índios de hoje, estão totalmente integrados ao sistema. Fazem parte dele como qualquer um de nós. Dirigem carros, portam objetos tecnológicos, trabalham, estudam, enfim, vivem como nós...!

Salvo raras exceções que ainda se encontram em estado puro dentro de densas florestas ainda não exploradas nos confins do Brasil, esses indígenas atuais, nada mais tem de indígenas a não ser sua imagem física. Aliás, bem parecida com a dos povos sul-americanos.

Hoje, eu parei de discutir sua defesa pelo simples fato de que; não tem mais o que defender a não ser a sua cultura. Mas isso pode ser preservado em museus, arquivos, imagens etc. Não há a necessidade de explorarmos mais ainda essa raça maravilhosa, até porque, não existem mais seres pertencentes à ela.

O índio puro se contaminou.  Estamos mantendo uma crença injusta com eles de que eles podem sim, lutar ainda por suas identidades.  Mas qual delas? A do guerreiro que sustenta com caça e pesca suas comunidades?  A da índia que cria e alimenta seus rebentos e tece ou produz utensílios?  Não....eles não vivem mais assim. Estão agora definitivamente incorporados aos povos que os dominaram como aconteceu durante milhares de anos na história universal.  Não vemos tribos bárbaras sendo protegidas na Europa para  manterem seus costumes.  É certo que desapareceram, mas mesmo que ainda houvessem integrantes, não haveria o porque de mantê-las no cativeiro da estagnação.

O mesmo segue com os indígenas que se integraram. Não são mais índios. São brancos civilizados agora.

Adotaram nossos costumes, assimilaram nossas leis e participam ativamente da vida social. Pra que então serem confundidos?  Tratados como super ou sub-raça?  Pra que iludi-los com promessas que mais cedo ou mais tarde serão quebradas?  O progresso de um Nação exige o seu preço. Nada podemos fazer quanto  a isso.  Gritar, berrar, espernear, só fazem o remédio ser mais amargo e doloroso.

Afinal de contas...pra que preservar essa cultura que já não mais existe de verdade?

Os próprios índios mais jovens cometem suicídio por já ter conta dessa realidade que lhes tira qualquer identidade.  Maldade é o que estão fazendo com esses povos nesse sentido. Se um dia os escravizamos, se um dia tomamos suas terras,  se os matamos.  Fizemos o que todos os povos fizeram. Assim como podem fazer conosco um dia, qualquer grupo superior, sei lá, de origem extra-terrestre....e daí?

O que não pode  é continuar enganando, criando falsas esperanças, abrindo mão de benefícios para chafurdar na inconsistência antropológica.  Não há mais espaço para isso. Só para aqueles que querem conquistar espaço como defensores e angariar frutos políticos ou financeiros com essa questão.

Mais uma vez, os indígenas estão sendo usados contra eles próprios. Mais uma vez, encontramos uma forma melhor de exterminar o que já não existe de fato.

Que se mantenham intocados apenas aqueles que ainda não foram infectados. Esses sim. Devem ser preservados de quaisquer contatos. Devem ser localizados e mantidos isolados a qualquer custo. Eles existem ainda na densa floresta.  E somente estes ainda podem ser considerados por nós, os civilizados, como os verdadeiros selvagens.






quarta-feira, 29 de maio de 2013

BOLSA DE DESVALORES

Uma recente pesquisa feita por cientistas que não tem o que fazer, deu como resultado que as "bolsas" carregadas pelas senhoras britânicas, são as mais contaminadas do mundo!  Tive conhecimento desse fato extremamente relevante no blog de uma jornalista censurada. O blog da Adriana Vandonni que sempre acompanho. Fiquei pensando nessa prodigiosa pesquisa que revelou serem as bolsas das moças do reino da Rainha Elizabeth, tão ou mais contaminadas do que vasos sanitários.
Então comecei a pensar se não poderiam fazer algo sobre as nossas bolsas assistencialistas que causam tanto furor por aqui. Não estariam estas também contaminadas?  O bolsa família que mostrou também recentemente os tipos de cidadãos "carentes" que dele dependem. O bolsa BNDS que agrada aos que agradam ao governo, ou os bolsas presidiários que sustentam aqueles bandidos com mais recursos do que se estivessem  trabalhando de verdade.  Enfim...não caberiam nesses quesitos, alguma pesquisa sobre o grau de contaminação?  Uma contaminação que gera dependência, obediência, além de cultos às personalidades?
Afinal de contas, se as ilustres e distintas súditas da Rainha preferem andar ou não com bolsas sujas, o que dizer de nossos ilustres miseráveis necessitados que não podem comprar uma calça de 300 reais para uma filha adolescente?  ou que precisam desesperadamente depositar dinheiro na poupança dos "esposos"?
Mas não admitem a hipótese de ficarem sem seus benefícios salvadores, mesmo que tenham que chegar apavorados ou destrambelhados dirigindo seus carros e motos para "avalanchar" sobre uma agência da Caixa Econômica Federal.
E as bolsas continuam se alastrando...

domingo, 19 de maio de 2013

NO VENTO, A LEMBRANÇA ; DOLLY E EU

Todos nós  temos  em algum tempo, certo tipo de relacionamento marcante com algum animal.  Pode ser um animal doméstico ou até selvagem. A história da humanidade sempre nos presenteia com convivências emocionantes entre o ser humano e o inumano, porém, com características fantásticas de relacionamentos.
Muitos chegam até a afirmar que, existem mais afinidades entre as pessoas e certos animais, do que entre as próprias pessoas.

Comigo não foi diferente;  embora tenha compartilhado minha infância com diversos cães e gatos, coelhos e pássaros, mas nada foi tão marcante quanto meu relacionamento com uma cadelinha que veio a se chamar Dolly!

Era o ano de 1998, uma tardesinha ensolarada em que eu cansado, retornava depois de atender meu último cliente bem próximo de casa.  Mas antes de chegar, ao passar por um ponto de ônibus onde já não havia mais ninguém, me chamou a atenção um pequeno ser largado ali.  Um filhote jazia coberto ainda com alguma terra e que era usado como passeio até por algumas formigas. Parei e olhei para aquele filhote morto. Achei um despropósito deixarem ali para apodrecer. Havia um terreno em frente ao ponto e como estava com uma caixa que me ocupava as duas mãos, achei melhor colocar a ponta do pé em baixo do corpo do filhote calçando-o para poder jogá-lo ao terreno. Foi quando aquela criatura gemeu levemente.

Me assustei, pois aparentemente não respirava, os olhos ainda fechados, a terra, as formigas....!  Rapidamente baixei a caixa e limpei aquela criatura. Estava viva sim, era uma cadelinha abandonada ali ao sol de uma tarde de outubro.

Um mendigo próximo me observava sem eu perceber e também exclamou  - "...mas está viva ainda???"  Perguntou sem se levantar do meio-fio.  "- sim....está" -  respondi já colocando cuidadosamente seu corpinho frágil dentro da caixa.

Terminei  o caminho e entrei em casa escondido das minhas duas meninas à época ainda bem pequenas.
Falei com minha mulher se achava que poderíamos tentar salvar aquele pequeno animal, pois aparentava estar quase morta. Ela até duvidou que  eu conseguisse, mas concordou. Molhei uma colhersinha com leite morno e tentei alimentá-la em gotas. Foi difícil, mas estava conseguindo.

O tempo passou, as meninas, como é óbvio, adoraram a cadelinha, e acabamos lhe dando o nome de Dolly.

Eu tinha que levantar todas as noites por volta de 3 ou 4 horas da madrugada para lhe dar a "xuquinha" com leite. Passava um paninho úmido para incentivá-la a evacuar como as cadelas fazem com a língua e dar uns tapinhas até arrotar.  Todos os dias durante semanas.  Certo tempo depois que trouxe ela para casa, pude presenciar quando finalmente abriu os pequenos olhos e me viu pela primeira vez. Engraçado, ela tinha os olhos azulados. Lógico que depois mudaram para o tradicional canino, mas eram azuis no início.

Dolly cresceu forte e feliz. Muito atlética, muito alegre, ciumenta, possessiva, mas também carinhosa e protetora.  Cresceu junto com minhas filhas. Destruiu muitos brinquedos delas, comeu um ovo de páscoa inteirinho que eu havia ganho, espantou muitos felinos, pássaros, até algumas abelhas e vespas que de vez em quando faziam seu nariz inchar pelas picadas.

Quando alguém distraia e abria o portão, lá íamos correndo pela vizinhança pra trazê-la pesadamente ao colo. Cachorra esperta, completamente desobediente. Era necessário arrastá-la quando empacava. Tinha aquela característica peculiar de "sorrir" sempre que ficava em situação embaraçosa..  Mas como qualquer canino, sempre queria estar por perto da gente.

Sua pelagem comprida farta e grossa, sempre acabava por encher sacos e sacos de aspiradores. Suas orelhas no estilo dos velhos cockers emprestavam um aspecto de cabelos ondulados e sua cor cinza, preta, e branca eram incrivelmente positivas para ficar completamente invisível se estivesse em terreno queimado.

Tinha diversas expressões no olhar. Uma delas, a de mãe que nunca foi.  Porém,  quando trazíamos alguma ninhada para doação das cachorras que tinhamos na fábrica, ela sempre fazia questão de ficar em cima dos filhotes completamente imóvel e babando muito.  Tinha períodos estranhos também.  Ficava pelos cantos chorando e ganindo baixinho sempre acompanhada de um bonequinho de minhas filhas. Parecia tratá-lo como a um filhote. Para onde fosse, levava o bonequinho e chorava baixinho.
Mas na maior parte do tempo, estava sempre em busca de movimento.

Ela cresceu junto com minhas filhas. Ficou como um aspecto positivo da família! Participou de eventos familiares, comemorou, sofreu, agitou, enfim. Dolly era uma presença constante dentro dos domínios da residência.

Tempos depois chega o "bingo", um boxer bobão com cara de mais bobão ainda, bem típico dessa raça.
Mesmo ainda filhote grande , rapidamente adotou Dolly como sua mãe e companheira. Adorava pentelha-la onde quer que fosse. Cresceu atazanando a pobre coitada que, apesar da idade, de vez em quando ainda topava as brincadeiras, embora o corpo já não respondesse como antes.

Com o passar do tempo, Dolly  foi ficando mais preguiçosa, mais quieta, não se alimentava como antes, até que surgiram alguns carôços em suas mamas. Um deles porém, avançou de forma extremamente rápida. Em questão de três dias se transformou em uma bolsa enorme prestes a explodir.

Consultei o veterinário mas  infelizmente  não havia jeito. A única alternativa, a cirurgia, mostrou-se inviável segundo me explicou. Na idade dela, nas condições em que estava o tumor, não havia outra alternativa que não fosse o sacrifício.

Foi a única vez em que Dolly se recusou a entrar no consultório onde o veterinário já aguardava para o procedimento. Empacou na entrada. Todos os outros cães que aguardavam com seus donos pareciam assistir tristemente quietos quando peguei-a no colo e junto com meu irmão e sobrinho, levamos para a mesa.

Depois de colocada sobre ela, Dolly recebeu a primeira injeção. Ficou quieta me olhando. Abaixei-me para me despedir (sem nenhuma vergonha de admitir que não conseguia conter as lágrimas). Ela me deu diversas lambidas no rosto. Sua língua quente era como um carinho de despedida.  Uma lembrança que deixaria, e deixou, quando sinto até hoje aqueles afagos caninos.  De repente seus movimentos sessaram. Ficou apenas me fitando.  Lembrei-me então de que fora a primeira imagem que ela vira do mundo, e estava naquele momento sendo também a última.

(...)

...hoje, uma enorme flor cresceu onde ela se encontra. Talvez os pássaros a tenham semeado sem querer, ou o vento. Uma flor até bonita, alta, esguia, cor de maravilha. Muitos conhecem por suspiro ou crista -de -galo.  Até que empresta alguma beleza aquele canto do jardim.

Porém, Dolly está muito além daquele jardim.  Está em algum lugar correndo como gostava de correr, saltando como gostava de saltar, e sua pelagem espessa e comprida vibrando ao sabor do vento que sempre gostou de sentir.

....ela, é agora...

...o próprio vento.

...que soprou por aqui durante 11 anos de nossas vidas!




segunda-feira, 13 de maio de 2013

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS GAMBIARRAS

São incríveis as coisas nesse país. Não é uma questão de só ver o lado ruim das coisas, mas de saber que se paga muito....muito mesmo, para não ter o retorno, o benefício prometido. Ao invés disso, temos os famosos tapa buracos, as gambiarras, os programas paliativos, os ensaios provisórios e por aí vai.
A sociedade está literalmente se acostumando ao Estado Provedor. Esquece que, tanto como indivíduo como o coletivo, devem se dispor a não dependência e sim à contribuição justa. É aquela famosa frase do -"...não pergunte o que seu pais pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo seu país...".

Que nada!  O brasileiro só quer mesmo sentar a bunda na cadeira e "dê-lhe que dê-lhe" como dizia um amigo meu!  Não existe um sistema mais adequado ao assistidor de novelas, big-brothers, e futebol que esse atual.  Não há mais incentivo.  O pernicioso Estado Provedor se mostra a cada dia mais atuante e menos eficiente.

Afinal de contas, para quem curte uma gambiarra, qualquer ineficiência, incompetência, ou imprestabilidade já está de bom tamanho!!!  Se sente no sagrado direito de levantar às mãos ao céu e agradecer a Pátria Amada.

Meritocracia passa a ser um palavrão reacionário. Um bom exemplo disso foi o que me disse um ex-funcionário que, apesar de sustentar a família, recusou um bom emprego depois de sua demissão só pra não deixar de receber o seguro desemprego.  Ficou encostado alguns meses, pra só depois, cair na real.

Isso não é um caso isolado não. O brasileiro pobre ou rico, quer é mamata. Uns mamam nas tetas governamentais, outros mamam nas situações que "acham" serem dádivas governamentais....e a linha segue!

Todo mundo mamando o leite "mijado" e sorrindo. Comendo merda e gargalhando. Só vêem coisas boas em tudo. É certo que isso nos coloca numa posição de país de simpáticos miseráveis perante o mundo. Seriedade aqui?  Como dizia também um personagem do querido e saudoso Costinha - TAIS BRINCANDO!!!!

É exatamente isso que fazemos. Brincamos;  Brincamos de bola, brincamos de trabalhar, brincamos de acreditar, brincamos até de brincar.  Nada contra um povo ser alegre.  Bem diferente dos famosos e ranzinza alemães.  Mas até quando se pode viver assim nessa terra ainda abençoada pela natureza?  Até quando essa natureza vai continuar nos premiando com suas maravilhas e exuberâncias?  Pra sempre????

Outro dia comentaram que sou "lixeiro" e sabem por que?  Chupei uma bala e GUARDEI  o papel no bolso pra jogá-lo num sexto depois.  O certo pra eles é jogar ali mesmo no chão....!

De Gaulle, quando disse que nosso país não é sério não estava brincando.  Nosso ufanismo é outro. Gostamos de elogios mentirosos e detestamos o confronto com a verdade.  Mas dizemos apreciar a sinceridade como um dos valores mais ...  apreciáveis.

Então, basta santificar os que mentem como os verdadeiramente sinceros e endemoniar aqueles que tentam alguma correção onde sabem haver problemas sérios que umas simples gambiarras NÃO VÃO RESOLVER!!!

Parece besteira tudo isso não é?  Tudo besteira.... MAS SÃO POR ESSAS BESTEIRAS que milhares de brasileiros morrem todos os anos no trânsito, alvejados nas ruas, esquecidos nos corredores hospitalares, praticando profissões sem preparo, enfim....se somarmos essa junção de corpo-mole, resignação, incompetência e despreparo.  Vemos então a razão de se aplaudir o viva-viva, salve-salve ufanista cantado em proza e verso.....

....e vai dizer o contrário pra ver!!!!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

MARACUJÁ E LIMÃO

Se eu tenho alguma virtude nessa vida, a paciência com certeza não é uma. Posso até ser tolerante, compreensivo, buscar entender a lógica das coisas, mas quando alguma coisa emperra, enrosca, enfim, empaca, aí o ser demoníaco que há em mim vem à superfície!
O pior, é que na maior parte das vezes, evito exteriorizar esse ser. Fico naquela luta interna tentando conter o monstro assassino que quer porque quer sua vingança sangrenta.
O engraçado, é que essas situações só aparecem em ocasiões propícias. Como por exemplo; se estou adiantado em relação a um horário - e quase sempre estou, pois odeio me atrasar - nada acontece. Procuro não perturbar a fluidez assim como os ingleses que se mantém do lado esquerdo nas escadas rolantes numa demonstração educada de como proceder para não atrapalhar aqueles que querem passar subindo mais rápido.
Mas se por qualquer motivo, meu horário não concorda muito com minha disponibilidade de distância a percorrer, somado ao fato da  urgência da resolução....ah  aí começa o pesadelo.  Sempre busco fazer um planejamento de percurso e situações para poder assim, resolver tudo o que puder. Dos bancos, aos clientes, cartórios, compras, etc. Mentalizo tudo. Desde os circuíto completo, até o tempo gasto em cada um. Mesmo considerando as tais "variáveis" como congestionamentos, semáforos discordantes, ou algum encontro com amigos chatos que querem aproveitar o tempo pra lhe contar a vida e perguntar da sua. Mesmo com tudo isso. Se o alinhamento dos planetas nesses dias não for positivo, aí então surge o "portal" para o tal monstro tentar sua fuga para o exterior. Caminhões seguindo à frente na descida como se estivessem subindo e em pontos impossíveis de se livrar. Calçadas apinhadas onde senhoras obesas passeiam de braços dados em suave caminhar olhando as vitrines e fechando completamente o percurso. Telefonemas que depois de horas ou dias de espera só tocam quando se está no chuveiro, cagando, ou fazendo sexo. Carroceiros na rua, tratores manobrando, caminhões manobrando no primeiro dia do motorista que afinal, nem é o motorista. Deve ser o porteiro que substituiu o desgraçado que faltou e mostra assim todas as habilidades que NÃO TEM!!!
Sem contar os desvios que nunca são para o lado que se quer ir.  Nos bancos então, tenho dificuldades em passar naquelas malditas portas com detector. Já até iniciei um streep certa vez quando a abençoada não destravava de jeito nenhum.  Motivo?  Estavam colando cartazes ao lado e a  "jeitosa" moça que colava os cartazes deixou a tesoura muito próxima da área de detecção. Se desculparam depois, tudo bem. Pude engolir o Mr Haid de volta.
Talvez resida nesse particular também a minha aversão à pesca. Contei até cinco, não beliscou, vou passear e admirar a natureza. Beliscou e ENROSCOU?  Jogo tudo no rio. Vara, linha, apetrechos, e se acharem ruim, jogo também quem achou.
Incrível como essas pequenas coisinhas me enlouquecem. Ainda agora antes de conseguir acessar esse meu blog, fiquei bem uns 20 minutos tentando...tentando....e o computador só com aquelas mensagens de "a página não responde"  Decidi então reiniciar...durou uma eternidade, mas cheguei.
Um neurologista me disse certa vez que sou muito estressado. Bem...eu acho que já nasci estressado. Faz parte de mim essa constante luta em dominar o "monstro".  Mas acabo por me resignar só pra provocar ele.
Talvez a resposta mais adequada esteja embutida em algum ponto da física quântica! Ou na teoria do caos. Ou nos dois juntos.
Mas uma coisa é certa. De uma forma ou de outra, eu acabo atraindo essas situações.  Eu, e o meu bom amigo "Zé", que lá do alto deve se divertir bastante com minhas expressões faciais diante desses empecilhos empacantes.
Queria muito saber se só eu sou assim, ou se tem mais pessoas no mundo tentando dominar seus monstros da mesma forma.
Minha paciência agradeceria...e muito!!!


https://www.youtube.com/watch?v=cA9bNiE_BjM